Merz Quer Relação “Justa e Equilibrada” com a China — Sem Cortar Laços, Mas sem Ilusões
Chanceler alemão em Pequim apela a parceria reformulada em troca de acesso e regras mais justas
Publicado em 25/02/2026 08:18 • Atualizado 25/02/2026 08:21
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O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, chegou hoje a Pequim para o que promete ser um dos momentos diplomáticos mais importantes da sua política externa desde que tomou posse: fortalecer, mas repensar, a relação económica e comercial com a China, o principal parceiro económico de Berlim.

No início de conversas com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, Merz apelou a uma cooperação mais “justa” e equilibrada — isto é, com melhores condições para as empresas alemãs e um acesso mais amplo ao mercado chinês. Segundo ele, existem “preocupações muito específicas” na forma como os dois países comerciam atualmente, e é isso que Berlim quer endereçar durante esta visita.

A relação bilateral com a China tem sido criticada na Alemanha devido a um persistente desequilíbrio comercial, com as exportações alemãs para a China a crescerem a um ritmo inferior ao das importações, e com empresas europeias a enfrentar barreiras dentro do mercado chinês. Merz sublinhou que não faz sentido “desvincular-se” de Pequim — em parte porque tal prejudicaria a economia alemã — mas defendeu que os termos dessa cooperação sejam repensados e mais equilibrados.

Do lado chinês, Li Qiang respondeu apelando a que os dois países trabalhem juntos para defender o multilateralismo e o comércio livre, sugerindo que uma relação forte entre estas duas grandes economias pode contribuir para o sistema comercial global.

Esta visita ocorre num momento em que a Alemanha não só enfrenta tensões económicas crescentes como tenta também posicionar-se diplomaticamente entre as potências globais, num cenário de competição entre China e aliados ocidentais, incluindo os Estados Unidos — cujo presidente, Donald Trump, também se prepara para mais uma visita à China em breve.

Em resumo, Merz quer manter a parceria com a China, mas “justa, equitativa e com regras claras”, numa tentativa de proteger os interesses alemães sem romper ligações com um parceiro que Berlim considera essencial para o futuro económico e estratégico do país. 

Fonte e Foto:Lusa 

 

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