Iniciativa do INAC já conta com o "luz verde" do Ministério da Cultura para salvar um património em risco de desaparecer. O projeto aguarda apenas o posicionamento formal da autarquia liderada por Mário Passos para avançar.
Vila Nova de Famalicão – O património histórico das artes circenses em Portugal enfrenta um momento crítico, mas a solução pode estar próxima. O Instituto Nacional de Artes do Circo (INAC) está a liderar a criação do primeiro Centro de Memória do Circo, um projeto pioneiro que visa travar o desaparecimento progressivo de arquivos, figurinos e testemunhos de famílias icónicas como os Chen, os Monteiro ou o histórico Circo Mariano.
A urgência da iniciativa prende-se com a dispersão de espólios essenciais que, atualmente, dependem quase exclusivamente da memória oral ou de coleções privadas sem condições de conservação. O futuro centro pretende ser uma estrutura de referência nacional e internacional, com valências que vão desde a investigação antropológica ao restauro.
O "Triângulo Estratégico" e o impasse político
O projeto ganhou um balanço decisivo em novembro passado, após uma reunião entre o INAC, o Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e o subdiretor-geral da DGArtes, Pedro Barbosa. O Governo manifestou uma abertura "muito positiva" para apoiar a infraestrutura, reconhecendo a importância de elevar o circo ao estatuto de património cultural imaterial.
Contudo, a concretização deste "triângulo estratégico" — composto pelo Estado, pelo setor artístico e pelo poder local — depende agora de um último vértice. O Ministério da Cultura aguarda o posicionamento formal da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.
Embora o espaço Central Park já tenha demonstrado disponibilidade para acolher o projeto e o município seja reconhecido pelo seu forte investimento cultural, a ausência de uma decisão definitiva por parte do executivo liderado por Mário Passos tem dificultado o avanço dos trabalhos.
Um resgate da identidade nacional
Para os profissionais do setor, esta não é apenas uma questão logística, mas uma corrida contra o tempo. "Trata-se de uma oportunidade única para resgatar uma parte essencial da memória cultural portuguesa antes que desapareça definitivamente", sublinha a organização.
Com o apoio das famílias circenses e das entidades nacionais já garantido, as atenções viram-se agora para Famalicão, na esperança de que o concelho assuma o papel histórico de guardião desta herança artística nacional.
Fonte - INAC ( Instituto Nacional artes circo)