A cidade consolidou em 2025 um novo modelo de crescimento, menos dependente da sazonalidade e mais focado nos mercados intercontinentais. Os EUA já são o segundo maior emissor de turistas estrangeiros para a Invicta.
PORTO – O setor turístico na cidade do Porto não está apenas a crescer em volume, está a transformar-se em valor. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia local arrecadou 501,1 milhões de euros em proveitos de alojamento até novembro de 2025, um salto de 7,2% que reflete o sucesso da estratégia municipal de retenção de visitantes.
Mais do que passageiros: hóspedes que ficam e gastam
Embora o Aeroporto do Porto tenha registado um movimento recorde de quase 17 milhões de passageiros (um aumento de 6,4%), o dado mais relevante para a sustentabilidade da cidade reside no comportamento de quem fica. Em 2025, o Porto acolheu mais de 3 milhões de hóspedes, mas foram as dormidas que deram o maior salto: cresceram 5,2%, totalizando 6,6 milhões.
Este diferencial confirma que os turistas estão a escolher ficar mais tempo na cidade, o que se traduz diretamente no consumo. O uso de cartões bancários estrangeiros na Invicta disparou 8,26%, injetando 833,7 milhões de euros no comércio e serviços locais.
O "Ataque" Americano e o Fim da Sazonalidade
O mapa de quem visita o Porto está a redesenhar-se. Se o mercado nacional e os vizinhos espanhóis continuam a liderar, os Estados Unidos fixaram-se como o segundo mercado internacional mais importante. O "Top 5" fecha-se com França e Brasil, demonstrando uma forte captação de mercados de longo curso e maior poder de compra.
Outra nota de destaque é o esbatimento da sazonalidade. O fluxo de visitantes mantém-se agora elevado e constante entre março e novembro, aliviando a pressão típica dos meses de verão e garantindo uma ocupação mais equilibrada ao longo do ano.
Sustentabilidade em Oito Quarteirões
Para responder a este crescimento sem sacrificar a qualidade de vida dos residentes, o Município tem implementado uma organização da cidade por quarteirões. Esta estrutura visa:
Descentralizar o turismo: Distribuir o fluxo por oito zonas distintas.
Valorizar o património: Promover rotas de arquitetura, cultura e história fora do eixo tradicional.
Equilíbrio local: Conciliar a experiência do visitante com o quotidiano de quem habita a cidade.
Destaque: O Porto afirma-se hoje como um destino que prefere a "qualidade do tempo de estadia" ao "volume imediato", uma aposta que parece estar a dar frutos financeiros recorde.
Fonte - Página Porto.pt