O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz caiu drasticamente, passando a apenas 5% dos níveis habituais em tempos de paz, na sequência do ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, segundo dados do observatório para o comércio global Kpler. Entre 1 e 19 de março, apenas 116 navios de carga e petroleiros atravessaram a passagem estratégica, sendo 71 petroleiros, maioritariamente com carga, e a maioria navegando para leste.
Especialistas da Lloyd’s List, revista britânica especializada em informação marítima, destacam que a maior parte do tráfego é assegurada por graneleiros, petroleiros e porta-contentores, sendo que recentemente houve um ligeiro aumento do número de metaneiros em circulação. A maior parte dos navios que atravessam o estreito são iranianos ou com pavilhão iraniano, enquanto os navios gregos e chineses representaram, respetivamente, 18% e 10% das travessias.
Embora o Irão continue a exportar petróleo, a passagem permanece em grande parte paralisada, com muitos navios sujeitos a sanções dos EUA, União Europeia ou Reino Unido. Desde 16 de março, os navios que se dirigem para oeste, incluindo metaneiros e petroleiros, estão predominantemente sob um esquema de “frota paralela”, coordenado pelo Irão.
Analistas do JPMorgan indicam que 98% do tráfego petrolífero ainda observável é de origem iraniana, com média de 1,3 milhões de barris por dia. A maior parte do petróleo transportado destina-se à Ásia, especialmente à China, e alguns navios transitam com aprovação das autoridades iranianas, utilizando rotas próximas da costa ou corredores inspecionados pelo país persa.
O ministro iraniano Abbas Araqchi afirmou que Teerão não fechou o estreito, mas restringiu a passagem a navios de países envolvidos nos ataques contra a República Islâmica, garantindo travessias seguras para aliados como o Japão, desde que haja coordenação prévia com as autoridades iranianas.
A situação evidencia a vulnerabilidade do comércio mundial de energia, dado que o Estreito de Ormuz transporta cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito globais em tempos normais, tornando-se um ponto crítico de tensão geopolítica.
Fonte e Foto:Lusa