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Forno do povo coze o tradicional folar da Páscoa em aldeia de Montalegre
Tradição pascal junta gerações à volta do antigo forno de pedra em Vilar de Perdizes
Publicado em 03/04/2026 08:38 • Atualizado 03/04/2026 08:39
Local
Montalegre

O forno comunitário de Vilar de Perdizes, no concelho de Montalegre, voltou a ganhar vida nesta Páscoa, reunindo habitantes da aldeia em torno da confeção do tradicional folar. A iniciativa não só preserva um costume antigo como também promove a partilha de conhecimentos entre gerações.

Ao longo de três dias, o espaço enche-se de histórias, técnicas e memórias, num ambiente marcado pelo calor do forno de pedra e pelo convívio entre mais velhos e mais novos. Muitos destes fornos, outrora essenciais no dia a dia das populações, caíram em desuso, mas têm vindo a ser recuperados nos últimos anos no concelho, especialmente nesta época festiva.

Entre os participantes está Secundina Oliveira, de 86 anos, que continua a ensinar a arte de fazer o folar como aprendeu com a mãe, sem medidas exatas, guiando-se apenas pela experiência. Já a preparação do forno exige cuidado e conhecimento, tarefa assumida por José Artilheiro, antigo padeiro, que garante a temperatura ideal para cozer os folares sem os queimar.

A tradição mantém também um lado religioso, com a habitual reza antes da cozedura, pedindo que o pão cresça e traga saúde aos seus donos.

O folar, feito com ingredientes como farinha, ovos, azeite e carnes fumadas, continua a ser presença obrigatória nas mesas transmontanas durante a Páscoa. Para os mais jovens, esta é uma oportunidade de contacto direto com as raízes culturais da região.

A participação de adolescentes da aldeia tem sido crescente, destacando a importância da continuidade destas práticas. Para muitos, é uma experiência nova que permite aprender e valorizar o património local.

A iniciativa envolve ainda o Centro Social e Paroquial local, que junta utentes e comunidade, reforçando laços e valorizando o conhecimento dos mais velhos. Além disso, os folares produzidos são também distribuídos por pessoas apoiadas ao domicílio.

A reativação do forno comunitário representa, assim, não só a preservação de uma tradição, mas também a revitalização de um espaço que outrora foi central na vida da aldeia, onde se partilhavam momentos, refeições e calor humano.

Fonte:Lusa / Foto:Pedro Sarmento Costa

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