O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto enfrenta uma crise interna de grandes proporções. Um grupo de 23 cirurgiões gerais da instituição avançou formalmente com a entrega de declarações de escusa de responsabilidade, um mecanismo jurídico utilizado para alertar que não estão reunidas as condições mínimas de segurança para o exercício da medicina.
De acordo com as denúncias enviadas pelos sindicatos médicos, o cerne do problema reside na gestão das escalas e na falta de recursos humanos. Os especialistas alegam estar a ser chamados para assegurar situações clínicas e urgências que extravasam as suas competências específicas e áreas de especialidade. Esta situação, alertam os clínicos, cria um cenário de risco elevado, tanto para a eficácia dos tratamentos como para a própria segurança dos doentes, que podem ser assistidos por médicos sem a diferenciação técnica exigida para determinados casos oncológicos.
Os sindicatos reforçam que a entrega destas declarações serve como proteção legal para os profissionais perante eventuais falhas ou erros que possam ocorrer num contexto de trabalho que classificam como inadequado e perigoso. A carência crónica de médicos e o desgaste acentuado das equipas são apontados como as causas centrais deste braço de ferro.
Até ao momento, a administração do IPO do Porto ainda não emitiu uma reação oficial ao protesto. Este impasse coloca em causa o normal funcionamento das cirurgias programadas e o atendimento aos utentes que dependem desta unidade de referência na região Norte para o combate à doença oncológica.
Fonte:Lusa / Foto:José Coelho