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“Falta muito para a paridade”: Porto Femme coloca o trabalho no centro da lente
Publicado em 18/04/2026 12:32
Cultura

A cidade do Porto recebe, de segunda-feira a domingo, a nona edição do Porto Femme – Festival Internacional de Cinema. Com exibições em várias salas emblemáticas, o certame assume este ano o "trabalho" como tema central, servindo de alerta para as desigualdades de género que ainda persistem no setor e na sociedade.

Em declarações à Lusa, Rita Capucho, fundadora e co-diretora do evento, destaca que a escolha do tema surge num contexto de discussão laboral em Portugal, onde as diferenças salariais e a invisibilidade de certas funções continuam a ser uma realidade. O festival pretende, por isso, trazer para o centro do debate o trabalho "das margens", como o trabalho do cuidado e as tarefas domésticas.

O comité de seleção escolheu 128 obras, entre quase mil submissões, reforçando o caráter internacional do evento. Filmes como “The Day Iceland Stood Still” (Pamela Hogan) ou “Silent Rebellion” (Marie-Elsa Sgualdo) cruzam-se com uma forte seleção nacional, que inclui trabalhos de Balolas Carvalho, Luísa Costa Pinto e Maureen Fazendeiro. O festival arranca oficialmente no Batalha Centro de Cinema, no dia 21 de abril, com a projeção de “Sugar Island”, de Johanné Gómez Terrero.

Um dos eixos fundamentais desta nona edição é a homenagem à história do cinema no feminino. O festival irá celebrar o legado de Raquel Soeiro de Brito (geógrafa e cineasta nascida em 1925) e de outras pioneiras como Bárbara Virgínia — a primeira portuguesa em Cannes, cujo percurso foi muitas vezes omitido dos registos históricos.

Além do Batalha, a programação estende-se a espaços como a Casa Comum da UP, o Passos Manuel, o Maus Hábitos e as Galerias MIRA, incluindo conversas e sessões de curadoria que exploram as fronteiras entre o documentário, a ficção e a memória. Organizado pela associação XX Element Project, o Porto Femme reafirma-se como um espaço de resistência e visibilidade, lembrando que o caminho para a verdadeira igualdade de acesso e oportunidades na indústria cinematográfica ainda está por concluir.

Fonte e Foto:Lusa

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