O Papa Leão XIV aproveitou o voo entre os Camarões e Angola, este sábado, para esclarecer a polémica que marcou a sua atual digressão africana. O Pontífice negou que os seus recentes discursos sobre justiça e desarmamento fossem ataques diretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lamentando a criação de uma "narrativa imprecisa" por parte da imprensa.
A troca de palavras começou no início da semana, quando Trump utilizou a rede social Truth Social para classificar o Papa como "fraco no combate ao crime" e "péssimo em política externa", chegando a afirmar que Leão XIV era um "político da esquerda radical". O ataque surgiu após o Papa ter condenado veementemente a guerra no Irão e o uso de justificações religiosas para conflitos armados.
Para provar que não está a alimentar um debate bilateral, o Santo Padre revelou que os textos lidos em cidades como Bamenda, nos Camarões onde criticou os "tiranos que destroem o mundo" — foram redigidos semanas antes de qualquer comentário da Casa Branca. "Não é de todo a minha intenção entrar num debate com o Presidente", sublinhou o Papa aos jornalistas, reforçando que o seu papel é o de "pacificador" e não o de um rival político.
Apesar das críticas vindas de Washington e de figuras como o vice-presidente JD Vance, que aconselhou o Papa a "manter-se fora da política", Leão XIV reiterou que continuará a defender o multilateralismo e a denunciar o que chamou de tendências "neocoloniais" que exploram o continente africano.
A viagem segue agora para Luanda, Angola, onde se espera que o líder da Igreja Católica continue a focar a sua mensagem na reconciliação local e na crise migratória, tentando afastar-se definitivamente do "ruído" político norte-americano que tem dominado as manchetes internacionais.
Fonte:Lusa / Foto:José Sena Goulão