O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) anunciou a convocação de uma greve nacional para o próximo dia 12 de maio, abrangendo os setores público, privado e social. A paralisação, que coincide propositadamente com o Dia Internacional do Enfermeiro, visa pressionar o Governo a avançar com medidas concretas para a dignificação da profissão e a valorização das carreiras.
Para além da paralisação nas unidades de saúde, está agendada uma manifestação em Lisboa. O protesto terá início no Campo Pequeno e terminará junto ao Ministério da Saúde, servindo como montra para as principais reivindicações da classe, que vão desde a progressão na carreira até à melhoria das condições de trabalho.
Segundo o presidente do SEP, José Carlos Martins, é fundamental resolver problemas que persistem há anos, como a contagem de pontos para efeitos de progressão e o pagamento de retroativos em falta. O sindicato exige ainda o reforço da contratação de profissionais para colmatar carências no SNS e no setor privado, bem como o fim da precariedade laboral que afeta centenas de enfermeiros.
Outro ponto de discórdia prende-se com a organização dos tempos de trabalho. Os enfermeiros manifestam uma oposição firme à imposição de bancos de horas e regimes de adaptabilidade que possam forçar o aumento da carga horária sem o devido pagamento de trabalho extraordinário. O sindicato espera que, no âmbito das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, a tutela reveja as suas propostas.
Apesar da expectativa de uma adesão elevada — semelhante aos 71% registados na última greve de março —, o sindicato alerta para a definição de serviços mínimos. O Tribunal Arbitral tem vindo a fixar contingentes semelhantes aos de um domingo, o que poderá atenuar o impacto visual da paralisação nas instituições de saúde, embora não diminua o descontentamento demonstrado pelos profissionais.
Fonte:Lusa / Foto:Rodrigo Antunes