O Palácio de Belém foi, esta terça-feira, o epicentro de uma forte dualidade política durante a receção oficial ao Presidente do Brasil, Lula da Silva. A visita de Estado ficou marcada por concentrações de sinal contrário, que espelharam nas ruas de Lisboa a polarização em torno da figura do governante e da sua atual gestão.
Separados por um rigoroso perímetro de segurança montado pela Polícia de Segurança Pública (PSP), centenas de manifestantes dividiram-se em dois campos distintos. De um lado, grupos de apoiantes, maioritariamente vestidos de vermelho e empunhando bandeiras do Brasil e do Partido dos Trabalhadores (PT), celebraram o reforço dos laços diplomáticos com Portugal e o regresso de Lula da Silva ao plano internacional. Do lado oposto, dezenas de críticos manifestaram-se contra a visita oficial, utilizando cartazes e palavras de ordem focadas em processos judiciais passados e na política externa de Brasília.
Apesar da forte tensão verbal e da troca de acusações entre os dois grupos, o dispositivo policial garantiu que não houvesse contacto físico, permitindo que as cerimónias protocolares decorressem sem interrupções. A presença destas duas fações em Belém sublinha como a política interna brasileira continua a ecoar fortemente em Portugal, país que acolhe a maior comunidade de imigrantes brasileiros no mundo.
Esta visita ocorre no âmbito da Cimeira Luso-Brasileira, um momento de reaproximação estratégica que visa revitalizar a cooperação entre os dois países. Além dos encontros institucionais com o Presidente António José Seguro e com o Governo português, a agenda do Presidente brasileiro inclui ainda a entrega do Prémio Camões ao escritor e músico Chico Buarque.
Fonte:Lusa / Foto:João Relvas / Lusa