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Centeno: Mercado de trabalho em Portugal tem "demasiada mobilidade"
Publicado em 21/04/2026 18:05
Economia
Ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno

O ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, defendeu esta terça-feira que o mercado laboral português não sofre de falta de flexibilidade, argumentando que o país apresenta níveis de rotação de emprego superiores aos de muitas economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos. No encerramento da 3.ª Conferência Anual do Trabalho, em Lisboa, o economista admitiu mesmo que poderá existir uma "demasiada mobilidade" de postos de trabalho em Portugal.

Centeno apelou a uma leitura mais profunda das estatísticas, focando-se no desemprego jovem. Para o antigo ministro das Finanças, os números elevados nesta faixa etária não devem ser vistos como um sinal de crise num cenário de pleno emprego. Segundo explicou, muitos jovens constam nas estatísticas apenas porque "rodam de emprego para emprego", sendo captados como desempregados no curto período de transição entre funções.

Relativamente ao debate sobre a produtividade nacional, o economista rejeitou a ideia de que a legislação laboral seja um entrave. Para Centeno, o que tem limitado o desempenho das empresas portuguesas é o histórico de baixos níveis de formação e qualificações com que os trabalhadores ingressam no mercado, e não a rigidez das leis vigentes.

Num comentário ao anteprojeto de reforma "Trabalho XXI" — que prevê mais de 100 alterações ao Código do Trabalho —, o ex-governador sublinhou que a economia necessita de estabilidade e previsibilidade. Centeno defendeu que qualquer mudança na lei deve ser sempre precedida de uma análise técnica rigorosa de dados, reforçando que a credibilidade das políticas é fundamental para o bom funcionamento do mercado.

Fonte:Lusa / Foto:António Pedro Santos

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