O Papa Leão XIV encerrou a sua viagem apostólica ao continente africano com uma mensagem contundente contra a exploração económica e a sede de poder global. Na Guiné Equatorial, última etapa de um périplo que incluiu a Argélia, os Camarões e Angola, o Pontífice reuniu-se com o Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e aproveitou a ocasião para denunciar a "colonização" dos depósitos de petróleo e minerais. No dia em que se assinalava o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, Leão XIV recuperou o legado do seu antecessor para alertar que a primazia do lucro sobre a dignidade humana gera uma "economia que mata", exacerbando as desigualdades e alimentando conflitos armados em várias regiões de África.
Durante o encontro oficial, o Santo Padre sublinhou que a proliferação de tensões militares é frequentemente impulsionada pela exploração de recursos naturais à margem do direito internacional e sem respeito pela autodeterminação dos povos. Estas declarações surgem num contexto de crescente disputa geopolítica entre potências como os Estados Unidos e a China, que procuram garantir o acesso a minerais críticos no continente. O Papa advertiu que a corrida às riquezas do subsolo não deve sobrepor-se à ética nem aos direitos das populações locais, apontando a necessidade de discernir entre o que é duradouro e a "ilusão de domínio" que as riquezas injustas proporcionam.
A visita destacou ainda o profundo paradoxo social da Guiné Equatorial, país onde o setor petrolífero domina a economia, mas onde mais de metade da população continua a viver em situação de pobreza. Invocando o modelo de Santo Agostinho em "A Cidade de Deus", Leão XIV apelou a uma governação que se afaste do orgulho e da sede de glória mundana, privilegiando a justiça e a coesão social. Esta passagem histórica marca o regresso de um Papa ao país 44 anos depois da visita de João Paulo II, em 1982, encerrando um capítulo de forte proximidade entre o Vaticano e as nações africanas.
Fonte:Lusa / Foto:José Sena Goulão