O consumo de medicamentos destinados à saúde mental atingiu o valor mais elevado da última década em Portugal. Durante o ano de 2025, foram dispensadas cerca de 29,4 milhões de embalagens de psicofármacos nas farmácias comunitárias, o que representa uma média impressionante de 80 mil unidades vendidas diariamente. Esta tendência elevou os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para os 152 milhões de euros.
Os dados avançados pelo Infarmed revelam uma mudança profunda no perfil de consumo ao longo dos últimos dez anos. Enquanto a venda de antidepressivos disparou 82% e a de antipsicóticos cresceu 72%, o uso de benzodiazepinas (ansiolíticos e sedativos) registou uma queda de 6,9%. Esta descida é vista com bons olhos pelos especialistas, uma vez que sinaliza um esforço clínico para reduzir a utilização de fármacos que apresentam maior risco de dependência.
Especialistas do setor apontam várias causas para este recorde histórico. Por um lado, verifica-se uma melhoria no diagnóstico e um maior acesso ao tratamento, fruto da redução do estigma em torno da doença mental. Por outro, a pressão demográfica e o aumento de residentes no país também impulsionam os números.
Contudo, surge também um alerta crítico: a dificuldade de acesso a alternativas como a psicoterapia. Para muitos especialistas, a falta de psicólogos no SNS e os custos elevados no setor privado levam a que a medicação seja, frequentemente, a única resposta disponível para quem sofre, criando um ciclo de dependência química que poderia ser evitado com um investimento reforçado em intervenções não farmacológicas.
Fonte:Lusa / Foto:Direitos Reservados