CIDADE DO VATICANO – Numa audiência com representantes do Partido Popular Europeu (PPE), o Papa Leão XIV defendeu este sábado que a solução para a crise das democracias modernas passa por um regresso ao "analógico". O Sumo Pontífice defendeu que o contacto direto com os cidadãos e a proximidade real com as comunidades são os melhores antídotos contra o populismo e o elitismo que, no seu entender, têm dominado o debate público.
Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano, criticou a política feita apenas de "slogans" e gritos digitais, apelando a uma ação política que responda às necessidades concretas das pessoas e não a interesses mediáticos.
O Santo Padre sublinhou que o povo não pode ser apenas um "recetor passivo" de decisões, mas deve ser chamado à responsabilidade e à participação ativa. Para Leão XIV, a atual desarmonia entre eleitos e eleitores é um sinal preocupante de declínio democrático. O Papa instou os políticos europeus a reconstruírem um "sentido genuíno de povo", fortalecendo o vínculo de confiança que tem sido corroído por projetos ideológicos que, ao longo da história, "subjugam as pessoas às suas próprias agendas".
Num discurso abrangente, o Chefe da Igreja Católica abordou também os perigos de uma Inteligência Artificial "desumanizante" e apelou a que os desafios tecnológicos sejam enfrentados de forma não ideológica. Leão XIV não esqueceu a crise demográfica europeia, pedindo condições que permitam às famílias "superar o medo de ter filhos", e instou a Europa a olhar para a migração focando-se nas causas profundas e na dignidade humana.
A audiência, liderada por Manfred Weber, serviu para o Papa recordar que ser cristão na política significa "investir na liberdade enraizada na verdade", combatendo a tendência de transformar a governação num exercício de aprovação fácil nas redes sociais.
Fonte e Fot:Lusa