O antigo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista que "não estava preocupado" no momento em que se ouviram tiros durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington. O incidente, que obrigou à sua retirada imediata do salão do hotel Hilton por agentes do Serviço Secreto, foi descrito pelo republicano com pragmatismo, justificando a sua calma com a instabilidade do contexto global atual. "Compreendo a vida. Vivemos num Mundo louco", afirmou ao programa "60 Minutes", da emissora CBS.
Durante a conversa, o dirigente norte-americano detalhou o cenário de pânico no local, onde muitos convidados procuraram abrigo debaixo das mesas. Trump admitiu que, num primeiro instante, pensou que o barulho se devia à queda de uma bandeja de serviço, mas sublinhou que a primeira-dama, Melania Trump, foi mais célere a identificar o perigo. "Naquele momento, acho que ela percebeu logo que aquilo era mais uma bala do que uma bandeja", explicou, elogiando a postura da esposa, que descreveu como uma mulher "muito forte e inteligente" perante uma situação de elevada pressão.
O momento de maior tensão na entrevista ocorreu quando a jornalista Norah O'Donnell confrontou Trump com o manifesto de Cole Allen, o homem detido no local com uma espingarda e facas. O documento continha acusações graves e referências ao caso de Jeffrey Epstein. Visivelmente irritado, Trump rejeitou categoricamente qualquer ligação a esses crimes, classificando as palavras do atacante como "lixo escrito por uma pessoa doente" e acusando a imprensa de ser "horrível" ao reproduzir tais afirmações.
Questionado sobre se este episódio poderia suavizar a sua relação tensa com os meios de comunicação social, o republicano foi taxativo ao manter as divergências, acusando a imprensa de partilhar a mesma agenda que o Partido Democrata. Apesar da gravidade do ataque falhado — que as autoridades associam a motivações políticas e religiosas —, Donald Trump reiterou a intenção de realizar um novo evento semelhante dentro de 30 dias, garantindo que o mesmo contará com um dispositivo de segurança ainda mais rigoroso.
Fonte e Foto:Lusa