O secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a adotar, de forma transitória, o IVA zero para o cabaz alimentar de bens essenciais. Durante o debate quinzenal na Assembleia da República, José Luís Carneiro justificou a proposta com a pressão inflacionária, sustentando que os portugueses estão a pagar mais 19 euros pelo cabaz de alimentos do que no início do ano.
Na sua intervenção, o líder socialista questionou diretamente Luís Montenegro sobre a disponibilidade do Governo para aplicar esta isenção fiscal, argumentando que o custo acumulado dos bens essenciais representa já um esforço adicional de cerca de 45 euros para as famílias. Carneiro sublinhou que esta medida seria uma resposta urgente ao aumento generalizado do custo de vida e dos impostos.
Em resposta, Luís Montenegro utilizou uma retórica de confronto, recuperando uma expressão que já havia dirigido à bancada do Chega. O primeiro-ministro acusou José Luís Carneiro de querer ser "o mais chegano dos deputados socialistas", estabelecendo um paralelo entre as propostas do PS e as de André Ventura no que toca à redução do IVA na alimentação, energia e combustíveis.
O chefe do Executivo marcou uma clara distância face às soluções da oposição, afirmando que, embora o Governo tenha "sensibilidade" perante as dificuldades das famílias, possui uma visão distinta sobre como as ultrapassar. Montenegro defendeu que a colagem do PS às bandeiras fiscais do Chega retira seriedade ao debate, especialmente no que diz respeito à fiscalidade sobre os combustíveis.
O debate terminou com o primeiro-ministro a reafirmar a estratégia do Governo, recusando ceder à pressão do PS para a implementação da taxa zero, num momento em que a polarização entre os dois maiores partidos parece acentuar-se em torno das políticas de alívio fiscal.
Fonte:Lusa / Foto:José Sena Goulão