A líder do ranking mundial, Aryna Sabalenka, lançou hoje um aviso sério à organização dos torneios do Grand Slam, admitindo que os tenistas podem vir a organizar um boicote caso não recebam uma fatia maior dos lucros. Em declarações que antecedem o Masters 1.000 de Roma, citadas pela agência Lusa, a bielorrussa defendeu que os jogadores merecem uma valorização que reflita o espetáculo e o entretenimento que proporcionam.
O descontentamento surge num momento de tensão crescente entre os atletas e os organizadores de Roland Garros. Recentemente, Sabalenka e outros tenistas de topo, como o italiano Jannik Sinner, assinaram um comunicado expressando "profundo desapontamento" com os prémios monetários previstos para a edição de 2026 do "major" francês.
Embora o torneio parisiense tenha anunciado um aumento de 10% no total de prémios, atingindo os 61,7 milhões de euros, os jogadores apontam para uma redução na percentagem das receitas totais distribuídas. Segundo os cálculos dos atletas, a fatia que lhes é destinada desceu de 15,5% em 2024 para uns projetados 14,9% em 2026, o que consideram ser uma distribuição injusta face ao crescimento comercial do evento.
"Sinto que, em algum momento, vamos fazer um boicote. Essa será a única forma de lutarmos pelos nossos direitos", afirmou Sabalenka de forma perentória. No entanto, a posição não é unânime no balneário. A polaca Iga Swiatek, embora concorde com a necessidade de renegociar os valores, classificou a ideia de um boicote como uma medida extrema, preferindo apostar na via do diálogo e em reuniões de urgência antes do início da competição.
Roland Garros está agendado para decorrer entre 24 de maio e 7 de junho, e este braço de ferro promete marcar a atualidade desportiva até ao primeiro serviço em Paris.