O Primeiro-Ministro Luís Montenegro e o Chanceler alemão Friedrich Merz defenderam, esta terça-feira, em Berlim, uma resposta coordenada de pressão diplomática face ao Irão. Num encontro marcado pela instabilidade no Médio Oriente, os dois líderes deixaram um alerta claro sobre os impactos económicos e de segurança que podem resultar do bloqueio das rotas marítimas na região, nomeadamente no estratégico estreito de Ormuz.
Numa conferência de imprensa conjunta, Montenegro classificou como "absolutamente inaceitável" a postura do Irão, tanto ao nível da obtenção de potencial nuclear militar como nas consequências para o comércio internacional. O chefe do Governo português sublinhou que a Europa deve "reafirmar a força dos argumentos numa relação de diálogo", mas não pode ignorar ataques que não obedecem a critérios compreensíveis para a comunidade internacional.
Por seu lado, Friedrich Merz focou a sua intervenção na dimensão económica da crise, alertando que o bloqueio iraniano afeta diretamente as economias alemã e portuguesa. "Temos de nos empenhar para que as vias marítimas estejam desimpedidas", afirmou o Chanceler, que defendeu abertamente o aumento de sanções caso Teerão se recuse a negociar. Merz revelou ainda que Berlim está em estreita coordenação com Washington sobre a resposta a este dossiê.
Além da agenda geopolítica, a visita serviu para reforçar o eixo económico Lisboa-Berlim. A Alemanha consolida-se como o segundo maior fornecedor de Portugal e um dos principais destinos das exportações nacionais, que cresceram, em média, 12,9% nos últimos cinco anos. Acompanhado pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, Montenegro participou ainda no “Wirtschaftstag”, onde discursou perante cerca de 3.000 empresários e líderes de grandes grupos como a Siemens e o Deutsche Bank, reforçando o papel de Portugal como parceiro estratégico no investimento europeu.
O Primeiro-Ministro encerra a visita oficial esta noite, regressando a Lisboa após o encontro com a elite empresarial alemã, com o compromisso de uma postura europeia firme perante os desafios de segurança global.
Fonte e Foto:Lusa