Lisboa, 06 mai 2026 (Lusa) – A Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) instou hoje o Governo e as autarquias de Faro e Loulé a recusarem qualquer tipo de financiamento ou suporte logístico ao concerto do músico norte-americano Kanye West, agendado para o Estádio do Algarve. A organização considera "chocante" a utilização de recursos ou espaços públicos para acolher um artista associado a recorrentes discursos antissemitas.
Em declarações à Lusa, o presidente da CIL, David Botelho, afirmou que a cedência do estádio — uma infraestrutura pública — constitui uma "normalização inaceitável" do discurso de ódio. O dirigente sublinhou que o Estado português não deve colaborar, direta ou indiretamente, com indivíduos que promovem a negação do Holocausto ou o elogio ao nazismo, referindo-se ao histórico de declarações polémicas de West, agora conhecido como Ye.
"O que se espera do Estado é que não haja qualquer apoio, financeira ou logisticamente. Não se compreende que Portugal disponibilize uma estrutura de todos para um evento com fins lucrativos protagonizado por uma figura com um historial de ódio tão notório", explicou David Botelho. A CIL revelou ainda ter enviado cartas formais aos municípios envolvidos e ao Ministério da Presidência no início de abril, mas não obteve, até ao momento, qualquer resposta oficial.
A digressão do rapper, de 48 anos, tem enfrentado forte resistência na Europa, com países como a França e a Polónia a manifestarem oposição aos espetáculos e o Reino Unido a chegar a recusar o visto de entrada ao músico. Apesar de West alegar que as suas declarações passadas foram fruto de problemas de saúde mental, o lançamento recente de temas com referências nazis mantém a comunidade internacional em alerta.
A Comunidade Israelita reforça que a liberdade de expressão não deve ser confundida com a complacência estatal, defendendo que os recursos públicos devem servir a dignidade humana e não quem a "polui e trai" com ideologias intoleráveis.