Lisboa, 06 de maio de 2026 (Lusa) — Dois chefes e 13 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) foram detidos esta terça-feira por suspeitas de tortura e violações na esquadra do Rato, em Lisboa. A confirmação foi dada à Lusa por fonte ligada ao processo, elevando para 24 o número total de elementos da PSP envolvidos nesta investigação.
Os 15 operacionais encontram-se atualmente sob custódia no Comando Metropolitano de Lisboa, aguardando o primeiro interrogatório judicial. Em causa estão crimes de tortura grave, abuso de poder e ofensas à integridade física, cometidos alegadamente contra pessoas em situação de vulnerabilidade, como sem-abrigo e cidadãos estrangeiros.
A investigação, que decorre desde 2025, apurou que muitos dos abusos foram filmados e posteriormente partilhados em grupos de WhatsApp compostos por dezenas de agentes. No decurso da operação de ontem, o Ministério Público e a PSP realizaram 30 buscas, visando não só residências mas também as esquadras do Rato e do Bairro Alto.
O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, destacou que os polícias agora visados estavam em funções e terão tido contacto direto com o "comportamento desviante" que a instituição tenta erradicar. Até ao momento, o caso já resultou em nove processos disciplinares e vários agentes a aguardar julgamento em prisão preventiva.
O diretor nacional da PSP reafirmou a política de "tolerância zero" da força de segurança perante estes factos, assegurando que a instituição foi a primeira a denunciar os comportamentos. Reforçou ainda que os cidadãos devem continuar a confiar na PSP, apesar da gravidade das suspeitas que recaem sobre este grupo de agentes.