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CGTP afirma que Portugal não pode sustentar uma economia assente no turismo
Publicado em 08/05/2026 15:36 • Atualizado 08/05/2026 15:40
Economia
Foto:António Pedro Santos

Lisboa, 8 de maio de 2026 – O secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, lançou hoje um forte alerta sobre o modelo económico nacional, defendendo que Portugal não pode continuar dependente de um setor do turismo assente em produtos de baixo valor acrescentado. Em declarações citadas pela Agência Lusa, o dirigente sindical sublinhou a urgência de uma reindustrialização que permita ao país competir além-fronteiras sem estar refém de serviços básicos.

À margem de uma iniciativa que assinalou o Dia Mundial da Segurança Social, Tiago Oliveira utilizou uma metáfora incisiva para descrever o desequilíbrio das contas externas portuguesas. Segundo o líder da central sindical, o país abdicou da produção própria em setores estratégicos, como a ferrovia, vendo-se agora obrigado a importar tecnologia que as receitas do turismo não conseguem compensar.

"Podemos vender o maior número de pastéis de nata que quisermos, nada disto vai entrar em concorrência com aquilo que temos de comprar fora", afirmou, questionando quantos produtos de baixo valor serão necessários para pagar a importação de uma centena de novos comboios a Espanha, França ou Suíça.

Para a CGTP, a baixa produtividade em Portugal é o resultado direto de "escolhas políticas de anos". Tiago Oliveira defende que a solução para o crescimento do país não passa pela hotelaria, mas pela valorização salarial e pela criação de condições para que os trabalhadores tenham uma vida próspera no seu próprio país, rejeitando o atual pacote laboral por responder apenas aos interesses patronais.

O dirigente concluiu a sua intervenção com críticas à União Europeia, acusando Bruxelas de querer que as pensões passem a "depender da bolsa e da especulação". Para o sindicalista, os incentivos aos fundos privados de reforma são uma estratégia para fragilizar o sistema público de repartição e alimentar os lucros do setor financeiro com dinheiro dos contribuintes.

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