As ruas de Ponta Delgada voltaram a cobrir-se de cor e devoção este domingo, 10 de maio, para as celebrações do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Segundo a Agência Lusa, nem a chuva persistente nem o vento travaram a determinação dos moradores, que se mobilizaram para criar quilómetros de tapetes de flores, mantendo viva a maior e mais emblemática festividade religiosa do arquipélago dos Açores.
As complexas composições, feitas de flores naturais, verduras e aparas de madeira colorida, transformaram a baixa da cidade num mosaico artístico que continua a despertar o deslumbramento de locais, emigrantes e turistas. Devido ao mau tempo, a tradicional missa campal foi transferida para a Igreja de São José, o que não impediu centenas de fiéis de acompanharem a homilia do lado de fora do templo, protegidos por guarda-chuvas sob as árvores do Campo de São Francisco.
Para muitos dos presentes, como o emigrante Artur Araújo, que regressa anualmente do Canadá, esta é uma jornada essencial de fé e amizade. O sentimento de deslumbramento é partilhado por visitantes de todo o país que, apesar da intempérie, não prescindem de percorrer os itinerários ornamentados.
A tradição estende-se também às fachadas, com as varandas ricamente decoradas. Um dos pontos centrais de atenção é a moradia da família do antigo provedor da Irmandade, Costa Santos, onde Ana Costa Santos mantém o legado da família, utilizando cerca de 600 flores para ornamentar a habitação. Além das varandas, o Santuário recebe milhares de flores oferecidas por fiéis em pagamento de promessas, que são depois tratadas por voluntários para decorar a imagem do "Ecce Homo".
A dimensão atual desta celebração, que se consolidou a partir das décadas de 40 e 50, inclui hoje a utilização de 25 mil gérberas e duas mil rosas nas vias circundantes ao santuário, graças ao esforço de grupos de voluntários liderados por Juvenal Martins. A par da componente floral, a iluminação monumental com 130 mil lâmpadas completa o cenário de uma festa que remonta ao século XVII e que continua a ser o expoente máximo da identidade açoriana.