( Agência Lusa) - O conflito no Sudão, que entrou agora no seu quarto ano, atingiu um novo patamar de violência com o uso intensificado de tecnologia militar. Segundo um comunicado emitido hoje pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pelo menos 880 civis perderam a vida em ataques de drones entre janeiro e abril de 2026, um número que representa mais de 80% do total de mortes de civis registadas neste período. O Alto-Comissário Volker Türk alertou que, sem uma intervenção imediata, a guerra corre o risco de entrar numa fase ainda mais mortífera, facilitada pelo uso de aeronaves não tripuladas que permitem a continuidade dos combates mesmo durante a época das chuvas.
A região estratégica do Kordofão tem sido o principal cenário destas fatalidades, mas o uso de drones está a expandir-se rapidamente para outras áreas, incluindo o Nilo Azul, o Nilo Branco e a capital, Cartum. O relatório da ONU destaca um padrão alarmante de alvos, com 28 ataques dirigidos a mercados e 12 a unidades de saúde nos primeiros quatro meses do ano, o que compromete gravemente a infraestrutura básica e a assistência à população.
Desde o início das hostilidades em abril de 2023, o confronto entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) já provocou dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados, desencadeando a pior crise humanitária da atualidade. Perante este cenário, as Nações Unidas apelaram hoje à adoção de medidas enérgicas para impedir a transferência de armas e drones sofisticados para as partes beligerantes, sublinhando que a insegurança alimentar e o risco de fome no país são agravados sistematicamente pela dificuldade em garantir corredores de ajuda humanitária seguros.