Lisboa, 13 mai 2026 (Lusa) – O presidente do Infarmed e a antiga diretora-geral da Saúde defenderam hoje, no Parlamento, que o processo de vacinação contra a covid-19 foi pautado pelo rigor científico e pela clareza. Numa audição na Comissão de Saúde, Rui Ivo e Graça Freitas garantiram que as etapas de segurança nunca foram comprometidas.
Rui Ivo sublinhou que as vacinas apresentam um perfil de segurança "muito bom" e que a monitorização foi mais intensa do que a realizada em medicamentos convencionais. O responsável explicou que as autoridades atuaram sempre que os dados do "mundo real" exigiram ajustes, como aconteceu nas recomendações por faixas etárias. Esclareceu ainda que os contratos com as farmacêuticas previam uma partilha de risco, mas que o fornecimento estava sempre dependente da aprovação final dos reguladores.
A ex-diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, recordou que a pandemia causou a morte de 26.655 pessoas em Portugal e que a vacinação foi fundamental para travar este cenário. Freitas destacou que a avaliação de risco-benefício foi constante, frisando que "o risco de não vacinar não é um ato nulo" e que as complicações da doença eram superiores aos riscos eventuais das vacinas.
Ambos os especialistas salientaram que a comunicação com o público foi transparente e coordenada. Graça Freitas admitiu que o processo teve imperfeições, mas realçou a adaptação contínua das normas técnicas às novas variantes e aos dados de farmacovigilância, assegurando que os cidadãos tiveram sempre acesso à informação disponível para tomarem decisões conscientes.