Lisboa, 15 de maio de 2026 (Lusa) — Um novo relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis (Labpabs) revela um cenário alarmante nas empresas nacionais: 38,3% dos profissionais inquiridos afirmam ser vítimas de assédio no trabalho. O número representa um crescimento acentuado face aos 27,7% registados em 2024 e aos 16,5% de 2021, sinalizando um "desgaste estrutural" que ultrapassa a esfera individual.
O estudo, que contou com a participação de mais de 5.500 profissionais de diversos setores, associa esta tendência a uma maior consciencialização dos trabalhadores, que hoje rejeitam comportamentos anteriormente tolerados. Contudo, a psicóloga e coordenadora do estudo, Tânia Gaspar, alerta para um desinvestimento das organizações na saúde mental, resultando em sintomas generalizados de exaustão, burnout e solidão.
Lideranças e o conflito de gerações A análise aponta as chefias como o ponto crítico da organização do trabalho. Segundo os peritos, muitos líderes pertencentes à "Geração X" tentam replicar modelos de exigência antigos junto de gerações mais jovens (Z e Y), que priorizam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Este "descompasso" reflete-se na perceção de injustiça: 77,4% dos participantes consideram que a sua remuneração não é adequada ao esforço despendido.
Grupos de risco e o fator de proteção do trabalho híbrido O relatório identifica que mulheres, jovens e doentes crónicos são os grupos mais vulneráveis ao assédio e ao mal-estar laboral. Em contrapartida, o modelo de trabalho híbrido surge como um fator de proteção significativo, associando-se a melhores indicadores de bem-estar, ao contrário do regime totalmente presencial, que apresenta resultados mais negativos.
Os especialistas defendem que o sucesso das organizações depende agora da "coragem" para reformular estruturas cristalizadas, investindo em planos de acreditação e normas de saúde mental que garantam a sustentabilidade das instituições e a retenção de talento.