Lisboa, 15 de maio de 2026 (Lusa) — O património artístico público português foi reforçado com a aquisição de 58 novas obras de arte contemporânea, num investimento total que ascende a cerca de 760 mil euros (759.529€). A seleção, que abrange trabalhos de 35 artistas de diferentes gerações, foi detalhada no relatório de 2025 da Comissão para a Aquisição de Arte Contemporânea (CAAC), divulgado hoje pela Museus e Monumentos de Portugal (MMP).
As peças agora integradas na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) apresentam uma grande amplitude de valores, com investimentos unitários a oscilar entre os 4.722 euros e os 79.950 euros. Entre os destaques de maior valor comercial encontra-se a obra “The Tearoom” (2024), da dupla João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, adquirida por quase 80 mil euros após ter integrado uma exposição antológica em Serralves.
Diversidade e relevância histórica O relatório da CAAC sublinha que a escolha das obras obedeceu a critérios de relevância artística, técnica e histórica. O conjunto inclui nomes consagrados e emergentes, como Miguel Branco, Pancho Guedes, António Areal e Maria José Aguiar, cobrindo disciplinas que vão desde a pintura e escultura até ao cinema e instalação.
A estratégia de aquisição procurou também garantir a representatividade cultural, incluindo artistas de geografias como Brasil, Angola e Moçambique, além de nomes nacionais. O objetivo passa por fomentar o diálogo entre as práticas artísticas atuais e o contexto histórico do país.
Revitalização da Coleção do Estado A Coleção de Arte Contemporânea do Estado, que esteve estagnada durante cerca de duas décadas, retomou o seu programa de aquisições em 2019. Atualmente, a CACE funciona como um acervo itinerante, com obras cedidas para exposições temporárias em diversas cidades portuguesas e também no estrangeiro, promovendo a democratização do acesso à cultura e o apoio direto à criação artística nacional.