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Bairro Alto continua a circular de copo na mão após restrição à venda de álcool na rua
Publicado em 16/05/2026 09:43
Local
Foto:Manuel de Almeida / Lusa

LISBOA, 16 de maio de 2026 (Lusa) – O Bairro Alto, o coração da noite da capital, mantém o seu pulsar habitual de copos na mão, música e burburinho. Três meses após a entrada em vigor da proibição municipal de venda de bebidas alcoólicas para o exterior a partir das 23:00, tanto moradores como comerciantes coincidem no diagnóstico à agência Lusa: na prática, “nada mudou”.

A medida, implementada pela Câmara Municipal de Lisboa, liderada pela coligação PSD/CDS-PP/IL, visa salvaguardar o descanso da população através da limitação dos horários de venda. No entanto, o consumo na rua mantém-se inalterado, gerando protestos de ambas as partes. A Associação de Moradores da Freguesia da Misericórdia defende que a solução passa por "proibir o consumo e não apenas a venda", criticando o ruído que tem motivado o despovoamento da zona.

Do lado dos empresários locais, a contestação também se faz ouvir. O presidente da Associação Portuguesa de Bares e Discotecas, Ricardo Tavares, faz um balanço "negativo" da lei, alegando que esta se revelou ineficaz no combate ao fenómeno do ‘botellón’ (alimentado por supermercados e venda ilegal) e que apenas serviu para penalizar o comércio tradicional, com quebras de faturação a rondar os 80% aos fins de semana.

Francisco Gonçalves, o histórico proprietário da Tasca do Chico, sublinha que estar na rua faz parte da identidade do bairro e rejeita que a diversão noturna seja a culpada pelo abandono dos residentes, apontando o dedo ao aumento drástico das rendas devido à especulação imobiliária.

As opiniões dividem-se num território onde o turismo é hoje um dos maiores motores económicos. Enquanto os residentes exigem "coragem política" para silenciar o chamado "turismo alcoólico", os promotores noturnos recordam que a atividade económica garante luz e segurança a um bairro historicamente degradado.

Alheios à polémica legislativa e com multas previstas que podem variar entre os 150 e os 3.000 euros, os milhares de turistas e jovens que frequentam as ruas estreitas da Misericórdia continuam a ver em Lisboa um destino seguro e amigável, onde a tradição de beber um copo ao ar livre teima em manter-se ativa perante as restrições da autarquia.

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