Lucca (Lusa) — O ciclista português Afonso Eulálio admitiu publicamente que deverá perder a liderança da Volta a Itália na próxima terça-feira, durante a 10.ª etapa da prova. Em conferência de imprensa realizada no segundo dia de descanso da competição, em Lucca, o atual detentor da camisola rosa mostrou-se realista quanto às suas hipóteses no contrarrelógio de 42 quilómetros, apontando o dinamarquês Jonas Vingegaard como o claro favorito a assumir o topo da classificação geral. De acordo com as declarações recolhidas pela Agência Lusa, o corredor da Bahrain Victorious avaliou as suas probabilidades de manter la liderança como "muito baixas", justificando que o traçado totalmente plano beneficia atletas com outras características físicas.
Apesar de dispor de uma vantagem de 2.24 minutos sobre Vingegaard — atual segundo classificado, bicampeão do Tour de France e detentor do título da Vuelta —, Afonso Eulálio explicou que o plano inicial para esta temporada não passava por disputar a classificação geral de forma tão vincada, tendo partido para o Giro com o estatuto de gregário. O ciclista de 24 anos assumiu que a tirada de amanhã será um exercício de pura resiliência e sofrimento, uma vez que trabalhou pouco a especialidade de contrarrelógio por antecipar que as suas oportunidades surgiriam apenas nas etapas de montanha.
Mesmo ciente das dificuldades imediatas, o corredor natural da Figueira da Foz considera que a sua prestação nesta 109.ª edição já serviu para "ajustar contas" com a Corsa Rosa, após o abandono forçado na sua estreia no ano passado, a escassos dois dias do fim. Eulálio assumiu a camisola rosa na quinta etapa da prova e fixou-se já como o segundo ciclista português com mais dias passados na liderança do Giro de Itália, ultrapassando a marca histórica de Acácio da Silva (1989) e ficando apenas atrás de João Almeida (2020).
Com a competição a estender-se até ao dia 31 de maio, com contornos finais traçados em Roma, o atleta prefere aguardar pelo desfecho do contrarrelógio para redefinir a estratégia da equipa para as duas semanas seguintes. Ainda assim, Afonso Eulálio traçou as suas metas ideais para o resto da prova, revelando o desejo de assegurar uma vitória numa etapa de montanha e terminar integrado no lote dos dez primeiros classificados da geral individual.