MENU
Mau tempo: Seguro exige que se acelerem apoios e melhore coordenação
Por Redação
Publicado em 23/05/2026 11:59 • Atualizado 23/05/2026 12:00
Nacional
Foto:António Cotrim / Lusa

Lisboa — O Presidente da República, António José Seguro, alertou que os efeitos do mau tempo que assolou o país no início do ano continuam a afetar gravemente cidadãos e empresas. No relatório final da sua Presidência Aberta à Região Centro — hoje divulgado pelo jornal Público e avançado pela Agência Lusa —, o chefe de Estado sublinha que a situação exige maior celeridade na distribuição de verbas, clareza nas políticas adotadas e uma articulação muito mais eficaz entre as entidades no terreno. Segundo Seguro, para muitas famílias, "esta crise ainda não terminou".

O documento, estruturado ao longo de quase cem páginas com a chancela da Casa Civil da Presidência da República, resume as conclusões das visitas efetuadas pelo Presidente entre os dias 6 e 10 de abril. O diagnóstico aponta atrasos na atribuição de subsídios e problemas por resolver, apelando a um reforço na resiliência de setores vitais, como as redes de telecomunicações, fornecimento de energia e acessibilidades. Para o mais alto magistrado da Nação, o país não pode limitar-se a improvisar na urgência; tem de haver planeamento e uma cultura sólida de prevenção antes de se entrar nos meses de maior risco ambiental.

A análise presidencial dirige duras críticas à atuação da administração central, sustentando que os temporais puseram à prova a eficácia do próprio Estado num cenário de crise multissetorial. O relatório enumera debilidades nos sistemas de alerta, na comunicação e na cadeia de comando, evidenciando uma "insuficiente clareza de papéis". De acordo com os testemunhos recolhidos no terreno, diversos autarcas e responsáveis locais queixaram-se mesmo da ausência de interlocutores definidos por parte do Governo.

Por outro lado, o relatório destaca a capacidade de resposta das autoridades locais como o ponto mais positivo de toda a crise. Ainda assim, Seguro clarifica que a contestação das populações não se deveu à ausência do executivo central, mas sim à tremenda complexidade em decifrar a interligação de critérios, calendários e responsabilidades das medidas anunciadas. O chefe de Estado conclui que a resposta existiu, mas dependeu excessivamente do espírito de adaptação local e de pontes institucionais criadas à pressa, exigindo agora reformas estruturais para que o passado não se repita.

Comentários