Lisboa, 27 mai 2026 (Lusa) — O balanço dos dois anos do plano de ação para as migrações apresentado esta quarta-feira no parlamento pelo ministro da Presidência motivou críticas do PS, que falou num “exercício patético” de autoelogio, enquanto o Chega acusou o Governo de irrealismo na política migratória.
Na Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, defendeu a linha do executivo em matéria de imigração, sublinhando uma abordagem “humanista” e rejeitando posições de fecho total das fronteiras.
A posição do governante não convenceu a oposição. Pelo PS, Pedro Delgado Alves considerou que o discurso teve “pouca prestação de contas e muito autoelogio”, classificando o momento como um “exercício patético” e criticando a falta de base em dados concretos.
Também a deputada socialista Isabel Moreira criticou o tom da intervenção, considerando-o excessivamente propagandístico e alertando para uma degradação da qualidade do debate político no parlamento.
Em resposta, Leitão Amaro afirmou que a expressão utilizada pelo PS correspondeu a um “momento de intensidade desajustada”, acrescentando que o julgamento das políticas migratórias será feito ao longo do tempo e pelos resultados.
Já o Chega criticou igualmente o discurso do ministro, mas numa perspetiva distinta, apontando que Portugal mantém políticas demasiado permissivas em matéria de imigração.
A deputada Cristina Rodrigues considerou que o discurso do Governo não reflete a realidade do país, enquanto Madalena Cordeiro alertou para o impacto do crescimento da imigração na identidade nacional.
O ministro rejeitou essas leituras e afirmou que o Governo não segue qualquer lógica de “substituição populacional”, defendendo ainda que não encara os imigrantes numa perspetiva utilitarista.
Outros partidos, como o PCP e o Livre, também criticaram a política do executivo, apontando dificuldades na integração e no funcionamento dos serviços ligados à imigração.