Lisboa, 28 mai 2026 (Lusa) — O porta-voz do Livre, Rui Tavares, defendeu esta quinta-feira que os partidos que ambicionam construir uma alternativa de esquerda ao atual ciclo político têm o dever de demonstrar critérios éticos superiores. Em declarações à agência Lusa, à margem de uma iniciativa em Lisboa, o dirigente sublinhou que a integridade e a transparência são fundamentais para combater aqueles que classificou como "inimigos da democracia", numa reação direta à megaoperação policial que envolve autarquias socialistas e a própria sede nacional do PS.
As buscas levadas a cabo pela Polícia Judiciária estenderam-se a concelhos como Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, resultando em cinco detenções. A CNN Portugal revelou que um dos detidos é Duarte Moral, assessor de imprensa do Partido Socialista. Segundo as investigações avançadas pela estação televisiva, o caso foca-se num alegado esquema de favorecimento no poder local em Lisboa, centrado na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e na sua anterior liderança. Suspeita-se da adjudicação fraudulenta de serviços e contratação irregular de militantes num valor que supera os 800 mil euros. Por sua vez, o PS já confirmou as diligências na sua sede, assegurando que o alvo é um funcionário e não a estrutura partidária.
Perante este cenário, Rui Tavares alertou que este tipo de escândalos acaba por beneficiar os discursos populistas, embora tenha lembrado que o líder do Chega, André Ventura, também está envolvido nas investigações do caso "Tutti Frutti". Quando questionado sobre as passadas coligações do Livre com o PS na capital, o deputado vincou a sua total confiança em Alexandra Leitão para gerir o assunto a nível municipal, mas deixou um aviso claro à direção nacional dos socialistas: o campo progressista tem de ser "absolutamente límpido" e agir de forma rápida e implacável para salvaguardar o interesse público.