Macau, China, 01 jun 2026 (Lusa) – O vice-governador do Banco Popular da China (PBC), Lu Lei, afirmou que o yuan digital poderá tornar os pagamentos transfronteiriços com países de língua portuguesa mais seguros, eficientes e transparentes, no âmbito da estratégia de internacionalização da moeda digital chinesa.
Desenvolvido desde 2014 e testado em várias cidades chinesas a partir de 2019, o yuan digital é apresentado como a primeira moeda digital emitida por um banco central a nível mundial.
Segundo Lu Lei, o sistema já integra funcionalidades como pagamentos online e offline, contratos inteligentes e mecanismos de maior transparência regulatória, permitindo uma utilização mais ampla no comércio internacional.
Durante um seminário em Macau dedicado às moedas digitais e à cooperação financeira com países lusófonos, o responsável sublinhou que a evolução do yuan digital representa uma nova fase no sistema monetário global, com potencial para facilitar operações internacionais.
O banco central chinês tem vindo a reforçar a promoção da moeda digital, incentivando bancos e instituições financeiras a expandirem a sua utilização em diversos contextos, incluindo pagamentos entre países.
De acordo com dados oficiais, o volume acumulado de transações em yuan digital já atingiu valores elevados desde o início dos testes, refletindo a crescente adoção da tecnologia no sistema financeiro chinês.
O diretor do Instituto de Estudos de Moeda Digital do PBC, Mu Changchun, destacou que o objetivo inicial do projeto foi modernizar os meios de pagamento e reforçar a soberania monetária da China, evoluindo agora para uma versão mais avançada integrada em sistemas internacionais.
Foi também referido que já existe um projeto de pagamentos transfronteiriços em funcionamento, permitindo ligações diretas entre instituições financeiras estrangeiras através de uma plataforma digital única, disponível 24 horas por dia.
Macau foi apontado como peça central desta estratégia, devido ao seu papel como plataforma de ligação entre a China e os países de língua portuguesa, estando também a desenvolver a sua própria moeda digital, a pataca digital.
A Autoridade Monetária de Macau aderiu recentemente ao projeto-piloto mBridge, que liga vários bancos centrais da Ásia e do Médio Oriente através de uma infraestrutura comum de moedas digitais.
As autoridades chinesas acreditam que a interligação entre estas plataformas poderá reforçar a cooperação financeira com países lusófonos e reduzir custos e ineficiências nos pagamentos internacionais.