Lisboa, 05 jun 2026 (Lusa) — Os juros médios das novas aplicações a prazo em Portugal registaram uma ligeira subida de 0,02 pontos percentuais em abril face a março, fixando a rentabilidade nos 1,44%. De acordo com o relatório estatístico publicado esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP), esta evolução consolida o terceiro mês consecutivo de recuperação dos juros, após um longo ciclo de quedas que se arrastava desde o início de 2024.
Mesmo com esta trajetória de recuperação, a remuneração média oferecida pela banca nacional continua abaixo do registo homólogo de abril do ano passado, altura em que a taxa se fixava nos 1,64%. A preferência dos aforradores particulares concentrou-se de forma esmagadora nos prazos mais curtos: as aplicações até um ano representaram 97% do total de novos depósitos e fecharam o mês a render os mesmos 1,44%.
Apesar de as taxas de juro em Portugal continuarem a subir, o país mantém um fosso considerável face à média europeia. Na Zona Euro, a remuneração média dos depósitos escalou para os 1,91% em abril, o que atira Portugal para a indesejada posição de sexto país com a rentabilidade mais baixa de todo o espaço da moeda única.
Se as taxas ainda dão passos tímidos, o volume de dinheiro aplicado pelos particulares explodiu. O montante de novas operações em depósitos a prazo cresceu 288 milhões de euros numa análise mensal, atingindo uns históricos 13.398 milhões de euros em abril — o valor mais elevado de sempre registado na série estatística do regulador.
No segmento empresarial, a tendência foi semelhante no que toca à rentabilidade, com a remuneração média dos depósitos das sociedades a subir de 1,79% para 1,83% (abaixo dos 2,01% registados em abril do ano anterior). Em contrapartida, as empresas injetaram menos capital líquido nas contas a prazo, com o volume total de novas operações a recuar para os 11.326 milhões de euros, menos 188 milhões de euros do que no mês anterior.