Santarém, 06 jun 2026 (Lusa) — A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, elegeu a gestão da água como o pilar central da união entre o ambiente e a agricultura. Na sessão de abertura da Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, a governante garantiu que a estratégia do Executivo para o setor deixou de ser uma mera "manifestação de intenções" para se transformar num plano de obras real e com execução avançada no terreno.
No topo da agenda imediata estão investimentos de larga escala em várias regiões do país. Maria da Graça Carvalho destacou as intervenções de 800 milhões de euros em curso no Algarve e anunciou que o foco se vira agora para o Alentejo, onde a emblemática Barragem do Pisão — aguardada há 70 anos — já se encontra em construção, a par de outros projetos regionais avaliados em 250 milhões de euros. A ministra anunciou também o lançamento iminente da Barragem de Girabolhos, no rio Mondego.
A recuperação das reservas hídricas permitiu ainda à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) levantar quase todas as restrições à captação de águas subterrâneas no país, restando apenas uma massa de água sob limitação no Algarve. A pensar no setor agrícola, a governante confirmou o aumento do volume máximo anual de Alqueva (de 620 para 730 hectómetros cúbicos), viabilizando o histórico bloco de rega de Moura, defendendo que o atual Governo está finalmente a avançar com projetos adiados por sucessivos executivos.
O plano governamental pretende cruzar a produtividade com as metas climáticas, defendendo que falar de agricultura é, cada vez mais, falar de biodiversidade e recursos energéticos. Nesse sentido, a ministra sublinhou o reforço na produção de biometano e o apoio a projetos de energia agrofotovoltaica, que combinam painéis solares e terrenos de cultivo. Revelou ainda uma dotação de 30 milhões de euros do Fundo Ambiental, em parceria com a pasta da Agricultura, para apoiar o pastoreio enquanto ferramenta natural de limpeza florestal e prevenção de incêndios.
Confrontada com as duras críticas da associação ambientalista ZERO — que acusa o Executivo de adotar um modelo ultrapassado focado na construção de novas barragens com impacto negativo nos ecossistemas —, Maria da Graça Carvalho rejeitou o cenário. A governante assegurou que todos os projetos avançam sob um grande rigor e escrutínio ambiental, lembrando que as decisões têm sido devidamente validadas pelas instâncias judiciais.