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Aviação estima lucros reduzidos a metade devido à guerra e combustíveis
Apesar do aumento no número de passageiros e das receitas recorde, a IATA prevê uma quebra acentuada na rentabilidade global do setor.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 16:15
Economia
Foto:Carlos M Almeida

Rio de Janeiro, 07 jun 2026 (Lusa) — As companhias aéreas mundiais deverão registar uma quebra de 50% nos seus lucros líquidos este ano, apesar de se antecipar um crescimento no volume de passageiros. Segundo as previsões globais divulgadas hoje pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), a rentabilidade das transportadoras será severamente afetada pelas disrupções operacionais decorrentes da guerra no Médio Oriente e pela escalada dos custos de energia.

Os dados apontam para uma descida na margem de lucro global de 4,2% em 2025 para 2,0% este ano. Em termos absolutos, os lucros do setor deverão recuar dos 45 mil milhões de dólares (39 mil milhões de euros) registados no ano passado para os 23 mil milhões de dólares (20 mil milhões de euros).

Esta contração financeira ocorre em contraciclo com a procura, uma vez que a IATA estima que o número de passageiros cresça 2,4%, atingindo o recorde de 5,1 mil milhões de pessoas, impulsionando as receitas totais da indústria em 9,4%.

O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, explicou que o principal motor desta quebra é a subida abrupta de 70% no custo do combustível para aviação (jet fuel), estimando-se um preço médio de 152 dólares por barril. "Alguns dos custos adicionais estão a ser recuperados através de ajustes de preços e em melhorias de eficiência, mas não será suficiente para manter a rentabilidade ao nível do ano anterior", alertou o responsável. Como consequência direta, o lucro médio gerado por passageiro vai cair para 4,5 dólares, face aos 9,10 dólares obtidos em 2025.

O desempenho financeiro será também muito assimétrico em termos geográficos. Devido à instabilidade geopolítica e ao quase total encerramento do espaço aéreo em determinadas fases do conflito, as companhias aéreas baseadas no Médio Oriente deverão fechar o ano "no vermelho". Nas restantes regiões do globo, os resultados manter-se-ão positivos, mas substancialmente abaixo das projeções iniciais.

Durante a apresentação dos dados no Rio de Janeiro, Willie Walsh defendeu o transporte aéreo como um "serviço essencial e um catalisador económico" e aproveitou para criticar a proposta do governo brasileiro de aplicar uma taxa de IVA de 26,5% sobre os bilhetes de avião. Segundo as contas da associação, esta medida poderá ditar o desaparecimento de até 3,6 milhões de voos internacionais no Brasil.

O líder da IATA deixou ainda um apelo à Comissão Europeia para que avance com uma reforma urgente do regulamento de 2004 sobre os direitos e indemnizações aos passageiros em caso de atrasos ou cancelamentos, argumentando que o atual modelo representa um encargo anual de 8.000 milhões de euros para as companhias.

Apesar das pressões financeiras e dos desafios nas cadeias de abastecimento globais, a satisfação dos clientes permanece elevada: um inquérito recente da associação a 6.500 consumidores revelou que 97% dos passageiros ficaram satisfeitos com a sua última viagem de avião.

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