Serpa, Beja, 08 jun 2026 (Lusa) — A cidade alentejana de Serpa, no distrito de Beja, prepara-se para acolher a primeira edição do Festival Ibérico de Serpa (FIS). O certame arranca já esta terça-feira e estende-se até sábado, tendo como propósito central a exaltação das expressões culturais e musicais classificadas como património imaterial da humanidade que estreitam os laços entre Portugal e Espanha.
Promovido pela Câmara Municipal de Serpa, o evento vai espalhar-se pelas artérias do centro histórico com uma agenda composta por 15 atuações e manifestações artísticas. A autarquia realçou que o projeto visa consolidar a região como um espaço de partilha e de intercâmbio criativo, evidenciando as profundas ligações históricas, geográficas e afetivas que subsistem entre o concelho e a região espanhola da Andaluzia.
O alinhamento deste primeiro ano destaca-se pela apresentação de espetáculos originais de fusão que cruzam as sonoridades do cante alentejano, do fado e do flamenco. Estas produções foram estruturadas especificamente para o festival e vão juntar em palco criadores como Ricardo Ribeiro e Diogo Clemente, que vão colaborar diretamente com grupos corais locais, intérpretes de flamenco e com a própria assistência.
Ao longo de cinco dias de programação, o palco do FIS vai receber um leque diversificado de convidados, onde se incluem nomes conhecidos do panorama musical português como Buba Espinho, Miguel Araújo, Edmundo Inácio e António Caixeiro, além da formação Bandidos do Cante, do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento e da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana (GNR). A representação espanhola e do flamenco ficará a cargo de artistas como Argentina e La José, estando ainda agendados os espetáculos de dança contemporânea "(Com)passos" e "Desta ilusão".
Para lá da vertente performativa, a organização reservou um espaço do programa para prestar uma homenagem pública à família Torrão, distinguindo as figuras de Francisco, Armando e, a título póstumo, Zeca Torrão. A autarquia justifica a distinção pelo contributo marcante que estes três nomes deram à salvaguarda da identidade local, sendo autores e intérpretes de cantigas emblemáticas do cancioneiro tradicional alentejano, tais como "Roubei-te um beijo", "Mondadeiras" e "Glebes".