Madrid, 09 jun 2026 (Lusa) — A liderança da Airbus lançou um forte apelo à sua força de trabalho para que "recupere o rumo" das operações, na sequência de um início de ano aquém das expectativas. A construtora aeronáutica europeia alertou que, para cumprir as metas fixadas para 2026, será obrigada a registar a segunda metade de ano mais produtiva de toda a sua história.
Numa missiva interna enviada aos colaboradores, avançada pela agência Bloomberg, o presidente executivo (CEO) da Airbus, Guillaume Faury, rotulou de "fracos" os indicadores financeiros e o ritmo de entrega de aeronaves no primeiro trimestre. Perante este cenário, o gestor defendeu que a organização necessita urgentemente de "fazer mais em menos tempo".
"O nosso ambiente empresarial não é motivo para reduzir as nossas ambições ou a nossa estratégia: a procura pelos nossos produtos e serviços continua forte", frisou o líder da empresa, salientando que o momento atual deve ser aproveitado como "uma oportunidade para mitigar as ineficiências e otimizar o trabalho em equipa".
Entre janeiro e março deste ano, os lucros da Airbus registaram um tombo de 26%, fixando-se nos 586 milhões de euros, uma quebra severa justificada pela redução no volume de aeronaves prontas fornecidas ao mercado. No primeiro trimestre, foram entregues 114 aviões comerciais, o que representa um recuo de 16% face às 136 unidades contabilizadas no período homólogo de 2025.
De forma a inverter este ciclo, Guillaume Faury apontou para a urgência em acelerar a introdução de novos modelos no mercado e garantir uma assistência ao cliente irrepreensível.
O plano de reestruturação delineado pelo CEO assenta em três pilares prioritários: o enfoque total nas atividades nucleares da empresa, cortando tarefas que dispersem recursos de forma desnecessária; a melhoria nos controlos de qualidade para erradicar falhas operacionais que penalizam a produtividade; e uma alteração na política de teletrabalho, com o aumento da presença obrigatória dos funcionários nos escritórios para quatro dias por semana já a partir de setembro, em substituição dos atuais três dias.
Apesar do arranque de ano tremido, os dados acumulados até ao mês de maio dão sinais de alguma recuperação, somando 262 aeronaves comerciais entregues — um avanço de cerca de 20 aviões em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Recorde-se que, em 2025, a multinacional colocou no mercado 793 aeronaves (superando por três unidades a meta final, que tinha sido previamente cortada devido a estrangulamentos na cadeia de abastecimento dos modelos A320). Para o fecho de 2026, a fasquia da Airbus aponta para uma produção ambiciosa de 870 aviões comerciais.