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Leão XIV visita Canárias e coloca crise migratória no centro da mensagem
Papa vai encontrar-se com migrantes e entidades de acolhimento, apelando a respostas solidárias para o drama das travessias marítimas rumo à Europa.
Por Redação
Publicado em 11/06/2026 06:18
International
@Lusa

Madrid, 11 jun 2026 (Lusa) – O Papa Leão XIV chega esta quinta-feira às ilhas Canárias para uma visita de dois dias dedicada à questão da imigração, numa deslocação marcada pelo contacto direto com migrantes e pelas sucessivas chamadas de atenção para a necessidade de respostas humanitárias ao fenómeno.

A visita encerra a viagem que o líder da Igreja Católica iniciou no passado sábado em Espanha e concretiza um desejo já manifestado pelo seu antecessor, Francisco, de visitar o arquipélago espanhol, uma das principais portas de entrada na Europa para milhares de pessoas oriundas de África a bordo de embarcações precárias, conhecidas como "pateras" ou "cayucos".

Nos últimos dias, Leão XIV tem insistido na necessidade de colocar a dignidade humana no centro das políticas migratórias. Num discurso no parlamento espanhol, classificou a imigração como um "trágico drama" capaz de interpelar a consciência das nações e defendeu uma cooperação internacional que permita respostas solidárias e eficazes.

O Papa alertou também para os perigos dos discursos polarizadores e das generalizações sobre os migrantes, apelando a uma abordagem mais humana e responsável perante uma realidade cada vez mais complexa.

Um dos momentos mais simbólicos da visita será a passagem pelo porto de Arguineguín, na ilha de Gran Canária. O local ficou conhecido como o "cais da vergonha", depois das imagens registadas em 2020, quando milhares de migrantes permaneceram ali durante dias em condições precárias. A intenção da Igreja é transformar esse símbolo de sofrimento num sinal de esperança e integração.

Cerca de 1.800 migrantes deverão estar presentes para receber o Papa, que prestará ainda homenagem às vítimas mortais das travessias marítimas e a todos aqueles que participam nas operações de salvamento, incluindo pescadores e equipas de resgate.

Segundo dados oficiais, quase 18 mil pessoas chegaram às Canárias em embarcações irregulares durante 2025. Já a organização não-governamental Caminando Fronteras estima que cerca de 3.100 migrantes tenham perdido a vida no mar no último ano, considerando a rota das Canárias como a mais mortífera do mundo.

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