Seul, 12 jun 2026 (Lusa) — O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi hoje condenado a 30 anos de prisão por ter autorizado o envio de drones militares para a Coreia do Norte em 2024, numa alegada tentativa de aumentar as tensões na península e criar condições para decretar a lei marcial.
De acordo com a acusação, Yoon procurou provocar uma reação de Pyongyang através do envio de drones carregados com panfletos de propaganda, esperando que um eventual incidente armado servisse de justificação para reforçar os seus poderes.
Os procuradores defenderam que a operação colocou em causa a segurança do Estado, agravou o clima de tensão entre as duas Coreias e levou à divulgação de informações sensíveis, após alguns dos aparelhos se terem despenhado em território norte-coreano.
Esta é mais uma condenação para o antigo chefe de Estado, de 65 anos, que já tinha sido sentenciado a prisão perpétua por insurreição, devido à tentativa de impor a lei marcial em dezembro de 2024 e ao envio de militares para o parlamento sul-coreano. Noutra fase do processo, tinha ainda recebido uma pena adicional de cinco anos de prisão.
Segundo a investigação, apesar da alegada estratégia para provocar uma resposta militar, a Coreia do Norte optou por uma reação moderada, limitando-se a avisar que retaliaria caso novos drones fossem enviados.
Ainda assim, Yoon avançou posteriormente com a tentativa de decretar a lei marcial, alegando ameaças à segurança nacional e acusando forças ligadas ao Norte de comprometerem a estabilidade do país. A medida acabou por durar apenas seis horas, depois de deputados conseguirem reunir-se no parlamento e votarem contra a decisão presidencial.
A tentativa desencadeou uma das mais graves crises políticas da história recente da Coreia do Sul. Destituído da presidência em abril de 2025 e atualmente detido, Yoon Suk-yeol recorreu das condenações, afirmando ter agido em defesa dos interesses nacionais.
Os advogados do ex-presidente rejeitaram as acusações relacionadas com o envio dos drones, sustentando que Yoon nunca deu ordens para a operação e que esta constituiu uma resposta legítima ao envio, pela Coreia do Norte, de balões carregados com lixo para território sul-coreano.