Lisboa, 12 jun 2026 (Lusa) — Portugal recusou vistos a pelo menos 20 parteiras de África e da Ásia que iriam participar num congresso internacional em Lisboa dedicado à redução da mortalidade materna e neonatal, denunciaram hoje os organizadores do evento.
O encontro da Confederação Internacional de Parteiras (ICM), que decorre este fim de semana, reúne especialistas de vários países para discutir formas de combater cerca de 260 mil mortes anuais de mulheres durante a gravidez ou o parto e milhões de mortes de recém-nascidos.
Segundo a organização, várias oradoras e especialistas de países como Nigéria, Ruanda, Etiópia, Bangladesh ou Índia viram os seus pedidos de visto recusados à última hora, impedindo a sua participação no evento.
Os organizadores criticam o impacto destas decisões, sublinhando que muitas das profissionais trabalham em zonas com elevada mortalidade materna e têm experiência considerada essencial para os debates.
“Estas recusas silenciam precisamente quem está na linha da frente”, afirmou uma responsável da organização, acrescentando que a exclusão compromete a representatividade do congresso.
Questionado pela agência Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) afirmou que os pedidos de visto são analisados “de forma rigorosa, objetiva e factual”, em conformidade com o Código de Vistos Schengen, garantindo um processo “uniforme e transparente”.
A ICM revelou ainda que mais de 100 líderes da área assinaram um apelo a pedir a revisão urgente das recusas de entrada, defendendo que a participação destas profissionais é essencial para o debate global sobre saúde materna.