Bruxelas, 15 jun 2026 (Lusa) — O recente acordo que visa a reabertura do Estreito de Ormuz nos próximos dias foi acolhido com enorme prudência por armadores e empresas comerciais. O setor exige mais pormenores e garantias reais antes de avançar para a retoma das travessias marítimas nesta rota estratégica.
A via navegável, fundamental para o trânsito global de petróleo e gás natural, foi severamente afetada pelo conflito armado que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão. O bloqueio norte-americano e o controlo iraniano sobre o canal estrangularam o mercado energético mundial, obrigando os principais operadores a recorrer a rotas clandestinas. Embora o Presidente norte-americano, Donald Trump, tenha anunciado que o estreito reabrirá na próxima sexta-feira com a assinatura formal do acordo, o setor mantém-se cético quanto à segurança prática da operação.
Nesta fase de incerteza, o tráfego nas águas de Ormuz permanece praticamente paralisado, registando-se apenas a movimentação de um navio-tanque de gás natural liquefeito, o Disha, que avançou para testar as condições de segurança. Segundo dados da empresa Kpler, estão atualmente retidos no Golfo Pérsico perto de 600 navios — na sua maioria petroleiros com cargas de elevado valor —, enquanto centenas de outras embarcações vazias aguardam do lado de fora, no Golfo de Omã.
Especialistas alertam que, além do perigo de minas flutuantes e do histórico recente de apreensões de barcos pelas forças iranianas, a própria logística de escoamento será um desafio, gerando uma forte concorrência num espaço muito estreito. As seguradoras e os proprietários das frotas temem que qualquer erro de cálculo ou decisão política repentina possa colocar as tripulações e os navios novamente em risco. Numa primeira fase, espera-se que os armadores com maior tolerância ao risco sejam os primeiros a cruzar o estreito assim que as restrições comecem a ser levantadas.