MENU
Negócio da cana-de-açúcar resiste nas ruas de Maputo apesar da destruição das cheias
Vendedores ambulantes enfrentam a subida de preços do produto e o perigo do trânsito na capital moçambicana para fugirem à precariedade do trabalho dependente.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 08:27
International
@Lusa

Maputo, 15 jun 2026 (Lusa) — As cheias que atingiram Moçambique no início do ano devastaram grande parte dos canaviais, mas os vendedores de cana-de-açúcar que inundam as ruas de Maputo recusam-se a abandonar o negócio. Apesar das quebras no lucro e do aumento dos custos no mercado grossista, a atividade informal continua a ser vista como a única alternativa viável para sustentar famílias e fugir à exploração laboral.

Na movimentada avenida 24 de Julho, no centro da capital, homens e mulheres correm diariamente entre os automóveis para vender pequenos pedaços de cana descascada e ensacada. Catarina Floria, de 33 anos, trocou o trabalho doméstico pela venda ambulante e prefere o risco da estrada aos abusos que sofria no antigo emprego, onde não recebia salário nem alimentação. O rendimento diário, que ronda os 300 meticais (cerca de 4 euros), serve para pagar os estudos de três crianças sob a sua responsabilidade.

A escassez do produto após as inundações fez disparar o preço do molho de cana a grosso, que duplicou para valores entre os 500 e os 600 meticais (6,70 a 8 euros). Para lidar com a inflação e a quebra no poder de compra dos clientes, os vendedores foram obrigados a reduzir a quantidade de cana colocada em cada saco plástico, que é vendido por valores entre os 20 e os 25 meticais.

As dificuldades estendem-se aos pequenos produtores do distrito da Manhiça, a 80 quilómetros de Maputo, que viram os seus campos completamente submersos pelas águas e tiveram de procurar terrenos alternativos para manter a produção. Moçambique continua a ser um dos países mais vulneráveis do mundo às alterações climáticas, sofrendo ciclicamente com cheias e ciclones severos durante a época das chuvas, o que fragiliza a agricultura de subsistência e empurra cada vez mais cidadãos para o comércio informal de sobrevivência.

Comentários