Maputo, 15 jun 2026 (Lusa) — Os depósitos a prazo nos bancos moçambicanos registaram uma recuperação no mês de abril, invertendo a tendência de queda que se verificava desde o início do ano. Segundo os dados estatísticos mais recentes do Banco de Moçambique, o volume total de poupanças fixadas atingiu os 303.331 milhões de meticais (o equivalente a cerca de 4.108 milhões de euros), aproximando-se novamente dos máximos históricos do país.
O comportamento destas poupanças tem oscilado nos últimos meses: depois de abrirem o ano em alta, os depósitos a prazo tinham recuado de forma consecutiva até fixarem-se nos 299.830 milhões de meticais em março, antes da retoma agora registada. Em contrapartida, os depósitos à ordem mantêm uma rota de crescimento estável, tendo avançado 2,5% no espaço de um mês para se situarem nos 511.362 milhões de meticais (6.925 milhões de euros).
O panorama financeiro moçambicano — composto por 15 bancos comerciais e 12 microbancos — surge num momento de estabilização do preço do dinheiro. A taxa de juro de referência para o crédito (conhecida como prime rate) manteve-se inalterada em junho nos 15,50%, marcando o segundo mês sem alterações após uma sequência de cortes graduais desde o início de 2024.
Esta estabilização acompanha a postura de cautela adotada pelo banco central. No final de maio, o Comité de Política Monetária (CPMO), liderado pelo governador Rogério Zandamela, optou por congelar a taxa diretora (MIMO) em 9,25% e aumentar as reservas obrigatórias da banca em moeda nacional.
A instituição financeira alerta que a inflação no país poderá vir a disparar para os dois dígitos devido à crise energética global. A evolução económica de Moçambique continua fortemente condicionada pela instabilidade no Médio Oriente, que tem provocado perturbações nas cadeias de abastecimento e uma forte volatilidade nos preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos.