Kiev, 15 jun 2026 (Lusa) — As forças russas desencadearam esta madrugada uma das investidas mais destrutivas dos últimos tempos contra o território ucraniano, recorrendo ao lançamento combinado de 70 mísseis e 611 drones de ataque. Segundo o balanço provisório avançado pela Força Aérea da Ucrânia, a ofensiva provocou a morte a pelo menos nove pessoas, tendo os sistemas de defesa aérea conseguido intercetar e destruir 50 mísseis e 582 aeronaves não tripuladas.
A capital, Kiev, foi o principal alvo das investidas de Moscovo. O presidente da câmara da cidade, Vitali Klitschko, informou que os bombardeamentos provocaram incêndios em vários prédios residenciais e danificaram gravemente a prestigiada Lavra de Kiev-Pechersk, um antigo mosteiro histórico situado no coração da capital. O autarca revelou ainda que as redes de distribuição foram severamente afetadas, deixando perto de 140 mil habitações sem eletricidade. Na capital, as autoridades militares locais já confirmaram a morte de quatro civis.
A violência dos ataques estendeu-se a outras importantes cidades do país. Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, o ministro do Interior, Ihor Klymenko, lamentou a morte de cinco operacionais das equipas de socorro, que foram atingidos mortalmente enquanto tentavam salvar civis dos escombros. As localidades de Dnipro e Kryvyi Rih, na zona central, também foram fustigadas pela ofensiva do Kremlin.
Este ataque em larga escala ocorre poucas horas após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que celebrou o seu 80.º aniversário —, ter mantido conversas telefónicas separadas com Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskyy. De acordo com o Kremlin, a chamada com o líder russo serviu para abordar a política internacional e os contactos bilaterais. Por sua vez, o chefe de Estado ucraniano classificou o diálogo com o homólogo norte-americano como uma "ótima conversa".
Apesar dos contactos, o processo negocial entre Kiev e Moscovo encontra-se atualmente num impasse, face ao recente foco da administração Trump na resolução do conflito com o Irão. Em paralelo, a Rússia justificou também a pressão militar como resposta a recentes investidas ucranianas contra infraestruturas económicas russas, que incluíram ataques a uma fábrica química em Tula e a depósitos petrolíferos em Yaroslavl.
Zelenskyy viaja agora para França para participar na Cimeira do G7, que arranca hoje na estância de Évian-les-Bains. O Presidente ucraniano deverá reunir-se presencialmente com Donald Trump à margem do encontro das maiores economias mundiais para debater a evolução da guerra e o apoio internacional à Ucrânia.