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Irão surpreende ao exigir taxas para a circulação de navios no Estreito de Ormuz
Teerão introduziu uma cláusula de última hora no acordo de paz com os Estados Unidos, contradizendo a garantia de "trânsito livre" dada por Donald Trump.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 11:37
International
@Lusa

Teerão, 15 jun 2026 (Lusa) — O Irão introduziu uma nova exigência na reta final das conversações com os Estados Unidos, avançando com uma proposta para aplicar tarifas sobre os serviços marítimos prestados no Estreito de Ormuz. A informação foi avançada esta segunda-feira pela agência de notícias semi-oficial iraniana Fars, ameaçando acrescentar complexidade à assinatura do tratado de paz.

Segundo uma fonte anónima citada pela agência, o rascunho do memorando de entendimento sofreu alterações substanciais nas últimas horas do processo negocial, com o objetivo de deixar "clara e explícita a questão da soberania iraniana-omani sobre o estreito de Ormuz". A Fars detalha que a inclusão do conceito de "serviços marítimos" no documento final abre a porta legal para que a República Islâmica passe a cobrar taxas à marinha mercante internacional que cruza a região.

Esta decisão surge em clara rota de colisão com as declarações públicas do Presidente dos Estados Unidos. Horas antes, através da sua rede social, Donald Trump tinha celebrado o desfecho do pacto assegurando que o canal estratégico seria reaberto "sem taxas de trânsito", em simultâneo com a suspensão imediata do bloqueio naval norte-americano imposto aos portos iranianos. O governante norte-americano tinha ainda apelado ao rápido recomeço das frotas petrolíferas, apontando a próxima sexta-feira como a data de arranque para as operações de desminagem das águas.

O acordo foi alcançado este domingo sob a mediação direta do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e pretende colocar um ponto final imediato e permanente nas hostilidades militares que assolavam o Médio Oriente desde o final de fevereiro, estendendo-se também ao território libanês.

A estabilização do Estreito de Ormuz é considerada de vital importância para a economia global, visto que a via canaliza sensivelmente um quinto de todo o crude consumido mundialmente. As delegações técnicas das duas potências vão manter-se reunidas ao longo de toda a semana para acertar as agulhas em relação a este novo impasse tarifário e para debater os dossiês pendentes relativos ao programa nuclear iraniano, mantendo-se a cerimónia de assinatura oficial agendada para a próxima sexta-feira, na Suíça.

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