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UE sem consenso para sancionar governante israelita Ben-Gvir – Kallas
Divisão entre os 27 Estados-membros impede castigo diplomático a Itamar Ben-Gvir, apesar do coro de críticas internacionais após a polémica detenção de ativistas.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 16:09
International
@Lusa

Luxemburgo, 15 jun 2026 (Lusa) — Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) não conseguiram alcançar, esta segunda-feira, o consenso necessário para avançar com sanções contra o ministro da Segurança Nacional israelita, o extremista de direita Itamar Ben-Gvir. A decisão necessitava da aprovação por unanimidade de todos os Estados-membros, contudo, o bloco comunitário acabou por esbarrar nas habituais divisões internas.

No final da reunião ministerial que decorreu no Luxemburgo, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, confirmou em conferência de imprensa que a proposta não avançou. "No mês passado, os ministros concordaram em sancionar colonos israelitas violentos e personalidades do Hamas. Muitos Estados-membros também propuseram sancionar o ministro Ben-Gvir, mas não se chegou a consenso hoje", declarou a Alta Representante.

O pedido de penalização ao governante israelita tem sido fortemente impulsionado por países como Portugal e Espanha. Em sentido oposto, nações como a República Checa, a Bulgária e a Hungria têm funcionado como um travão, bloqueando a aplicação de medidas punitivas diretas.

A pressão para sancionar Itamar Ben-Gvir escalou significativamente no último mês devido à partilha de vários vídeos de teor polémico. Nas imagens divulgadas, o governante surge a confrontar e a provocar vários ativistas internacionais — entre os quais cidadãos de nacionalidade portuguesa — ligados à flotilha humanitária Global Sumud, cujo destino era a Faixa de Gaza, após estes terem sido detidos pelas forças de Telavive.

A conduta de Ben-Gvir já tinha motivado reações duras a nível bilateral: a França avançou com a proibição da entrada do ministro israelita no seu território nacional, enquanto a justiça em Itália optou por instaurar um inquérito formal por suspeitas dos crimes de sequestro e tortura.

Para além do dossiê das sanções individuais, a reunião dos chefes de diplomacia da UE serviu para debater possíveis limitações comerciais — parciais ou totais — às trocas de bens com os colonatos israelitas localizados na Cisjordânia.

Seletivamente, vários ministros instaram a Comissão Europeia a apresentar um leque de propostas nesse sentido, uma vez que a política aduaneira e comercial é uma competência exclusiva de Bruxelas. "Vou transmitir este pedido e pedir à Comissão para preparar, antes do próximo Conselho de Negócios Estrangeiros, uma lista de medidas comerciais possíveis, incluindo para prevenir a importação de bens provenientes de colonatos ilegais", garantiu Kallas.

A Alta Representante rematou referindo que o assunto será levado ao Colégio de Comissários para clarificar as alternativas disponíveis, sublinhando que urge também definir uma estratégia uniforme sobre como proceder face aos produtos provenientes dessas zonas que já circulam atualmente no mercado único europeu.

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