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Costa Silva defende regulação da IA “em doses inteligentes” e alerta para atraso dos EUA
Ex-ministro da Economia alertou para o atraso legislativo dos Estados Unidos em comparação com a União Europeia e destacou o domínio das grandes empresas privadas neste setor.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 18:02 • Atualizado 15/06/2026 18:02
Economia
@Lusa

Lisboa, 15 jun 2026 (Lusa) — O ex-ministro da Economia, António Costa Silva, defendeu esta segunda-feira a necessidade de aplicar uma regulação equilibrada ao setor da Inteligência Artificial (IA). Intervindo na Grande Conferência anual do Diário de Notícias, que decorre na Fundação Champalimaud, em Lisboa, o antigo governante sublinhou que os limites legais devem ser aplicados "em doses inteligentes" de modo a salvaguardar a capacidade de inovação tecnológica.

Costa Silva apontou para o forte impacto da IA na reconfiguração da economia e da sociedade, chamando a atenção para os riscos geopolíticos associados. Na sua perspetiva, a forte concentração desta tecnologia em grandes empresas privadas, maioritariamente sediadas nos Estados Unidos, constitui um desafio acrescido. O ex-ministro criticou ainda a postura de Washington, apontando que o governo norte-americano se mantém atrasado nesta matéria e adotou uma visão oposta à da União Europeia, que já dispõe de um quadro regulatório estruturado em quatro categorias.

O debate contou também com a participação de Maria Manuel Leitão Marques. A ex-ministra da Presidência e antiga eurodeputada enfatizou que qualquer extensão de regulação eficaz terá de envolver de forma conjunta os blocos dos EUA, da China e da União Europeia, em articulação com as Nações Unidas, a OCDE, as tecnológicas e a sociedade civil. Leitão Marques recordou que as regras servem para proteger os cidadãos tanto de abusos corporativos como estatais, alertando contudo para a dificuldade de legislar sobre uma área onde a tecnologia evolui a um ritmo muito superior ao das leis.

Por sua vez, Luísa Ribeiro Lopes, presidente do .PT, reforçou que a governação da IA não deve ficar restrita aos governos ou à academia, apelando a uma participação ativa dos cidadãos. A responsável alertou ainda para o perigo de a IA acentuar as assimetrias sociais, defendendo um forte investimento na educação para mitigar o risco de uma sociedade a duas velocidades.

À mesa juntou-se também o diretor da Huawei Portugal, Diogo Madeira, que classificou a revolução da IA como sendo superior ao impacto inicial da Internet. O gestor considerou que o foco do debate público deve centrar-se mais na adoção da inovação do que no seu bloqueio, argumentando que, face à impossibilidade de competir por escala, Portugal deve apostar no desenvolvimento da agilidade e da velocidade empresarial.

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