Lima, 16 jun 2026 (Lusa) — A candidata da ala direita à Presidência do Peru, Keiko Fujimori, conseguiu alargar a sua margem de vantagem sobre o opositor de esquerda, Roberto Sánchez, numa altura em que escasseiam cerca de 200 mil boletins para fechar o apuramento oficial da votação realizada no passado dia 7.
Com 98,94% do escrutínio efetuado até ao final desta segunda-feira, a líder da força política Fuerza Popular recolhe 50,07% da preferência dos eleitores (o equivalente a 9.114.257 votos). Por sua vez, o representante do partido Juntos por el Perú fixa-se nos 49,92% (reunindo 9.085.749 votos). A distância que separa os dois concorrentes cifra-se em somente 28.508 votos, confirmando a tendência histórica do país onde o chefe de Estado é escolhido por margens mínimas, tal como sucedeu nos sufrágios de 2016 e 2021. Nessas ocasiões, Fujimori acabou derrotada por escassos 40 mil votos.
A herdeira política do antigo presidente Alberto Fujimori encontra-se agora em posição privilegiada para assumir os destinos da nação. O desfecho oficial fica dependente da validação de aproximadamente mil atas que apresentam rasuras ou notas de observação, localizadas maioritariamente na área metropolitana de Lima, uma região onde Keiko Fujimori detém o favoritismo do eleitorado. Os órgãos eleitorais preveem resolver as contestações administrativas ao longo desta semana para oficializar o vencedor.
Do outro lado da barricada, Roberto Sánchez — que personifica a linha política do ex-presidente detido Pedro Castillo — já veio a público colocar em causa a transparência do processo. O candidato apontou o dedo a alegadas anomalias verificadas nas mesas de voto sediadas no estrangeiro e desafiou a rival a avançar com um pedido mútuo de recontagem integral de votos, cenário que foi liminarmente descartado por Fujimori.
Caso a tendência se confirme nos próximos dias, esta quarta tentativa consecutiva ditará a eleição da primeira mulher presidente da história do Peru através do voto direto dos cidadãos. O vencedor do escrutínio terá a missão de liderar o país no mandato que se estende até 2031, com o desafio acrescido de pacificar um panorama político marcado por uma volatilidade extrema: na última década, o Peru foi governado por oito presidentes diferentes, fruto de constantes processos de destituição validados pelo Parlamento.