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Lula e Macron reforçam parceria em defesa, soberania digital e cooperação fronteiriça
Líderes do Brasil e de França reuniram-se na cimeira do G7 para debater o programa conjunto de submarinos, apoio tecnológico e a ligação entre o Amapá e a Guiana Francesa.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 08:22
International
@Lusa

Évian, França, 16 jun 2026 (Lusa) — O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, mantiveram esta segunda-feira uma reunião bilateral de 40 minutos à margem da Cimeira do G7, a decorrer na cidade francesa de Évian. No centro da agenda estiveram temas estratégicos como o reforço da indústria de defesa, parcerias na área tecnológica e a integração das regiões fronteiriças.

De acordo com as informações disponibilizadas pelo Palácio do Planalto, os dois governantes destacaram o bom andamento dos projetos conjuntos na área da Defesa, com especial enfoque no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), uma iniciativa de cooperação militar de longo curso partilhada por Brasília e Paris. No plano regional, Lula e Macron concertaram agulhas para finalizar um conjunto de medidas que visam estreitar os laços e a cooperação transfronteiriça entre o estado brasileiro do Amapá e o território ultramarino da Guiana Francesa.

A nível tecnológico, a França manifestou formalmente o seu interesse em colaborar nos planos do Governo brasileiro para a compra de supercomputadores. Esta iniciativa é encarada por Brasília como um passo fundamental para robustecer a soberania digital do Brasil face aos desafios globais da computação e da gestão de dados.

Antes de rumar a França, a viagem europeia de Lula da Silva teve uma paragem em Genebra para um encontro com o Presidente da Suíça, Guy Parmelin. O diálogo centrou-se na diversificação das exportações e no comércio bilateral, tendo ambos os líderes defendido que a consumação do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) assume uma importância acrescida num cenário internacional marcado por tendências protecionistas e unilaterais. Brasil e Suíça decidiram ainda alargar a cooperação a setores de ponta, tais como a inteligência artificial, transição energética, saúde e biotecnologia.

A participação de Lula na Cimeira do G7 estende-se até quarta-feira, a convite de Emmanuel Macron, incluindo a presença em mesas de trabalho dedicadas ao crescimento económico, parcerias mundiais e inteligência artificial.

A estada em solo francês gera ainda uma forte expectativa em torno de um eventual encontro bilateral entre o líder brasileiro e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As relações diplomáticas entre Brasília e Washington atravessam um período de acentuada tensão, depois de a administração norte-americana ter classificado as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, uma leitura que colide com a posição oficial do executivo de Lula da Silva. Em reação, e alegando que as políticas brasileiras — incluindo o sistema de pagamentos PIX, a desflorestação ilegal e falhas na proteção da propriedade intelectual — prejudicam o mercado norte-americano, Washington avançou com a aplicação de novas taxas alfandegárias aos produtos vindos do Brasil.

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