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União Europeia liberta 200 mil euros para apoiar populações afetadas pelas cheias em Angola
Apoio humanitário vai reforçar a intervenção da Cruz Vermelha em quatro províncias, prestando assistência médica, alimentar e habitacional a mais de 17.500 pessoas.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 10:59
International
@Lusa

Luanda, 16 jun 2026 (Lusa) — A União Europeia (UE) anunciou a mobilização de uma verba de 200 mil euros em ajuda humanitária com o objetivo de socorrer as comunidades duramente fustigadas pelas graves inundações que assolam quatro províncias de Angola.

Este apoio financeiro será canalizado diretamente para apoiar as operações de emergência da Sociedade da Cruz Vermelha de Angola. O plano visa garantir assistência direta a um universo superior a 17.500 cidadãos localizados nas províncias de Benguela, Cuando Cubango, Cunene e Luanda. Os fundos destinar-se-ão à distribuição de bens alimentares e apoio financeiro direto, à disponibilização de abrigos temporários, ao fornecimento de água potável, bem como a cuidados médicos e melhorias nas condições de saneamento básico.

A crise humanitária teve início em fevereiro deste ano, altura em que o território do Cunene começou a registar chuvadas torrenciais. O mau tempo estendeu-se depois ao Cuando Cubango e acabou por se agravar substancialmente durante o mês de abril, com cheias devastadoras em Luanda e Benguela. No cômputo geral do país, o balanço provisório desta catástrofe natural aponta para a morte de mais de 45 pessoas, estimando-se que apenas nas províncias de Benguela e Luanda o número de afetados ultrapasse as 51 mil pessoas.

A província de Benguela converteu-se no ponto mais crítico desta intempérie após o colapso de um dique no rio Cavaco, ocorrido a 12 de abril. O incidente arrastou consigo habitações, estradas, vias férreas e hospitais, resultando num trágico balanço de 19 mortos, 31 desaparecidos e mais de 9.000 desalojados, que se viram forçados a abandonar as suas casas.

A destruição destas infraestruturas vitais paralisou serviços públicos essenciais e empurrou milhares de famílias para acampamentos provisórios, onde a falta de mantimentos e de água segura é uma realidade diária. Paralelamente ao cenário de destruição, as autoridades de saúde locais mostram-se muito preocupadas com a possibilidade de eclosão de surtos epidémicos. O facto de existirem muitas águas estagnadas e fontes de abastecimento contaminadas eleva substancialmente o risco de propagação de doenças graves, tais como a cólera, diarreias agudas, malária e dengue.

Este programa de auxílio humanitário promovido pela União Europeia deverá manter-se ativo no terreno até ao termo de 2026. O montante disponibilizado está integrado no esforço financeiro global da UE destinado ao Fundo de Emergência de Resposta a Catástrofes (DREF), tutelado pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

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